A epicondilite lateral, conhecida como cotovelo de tenista, é uma tendinopatia dos músculos extensores do punho na região onde eles se fixam, na parte externa do cotovelo. É uma das causas mais comuns de dor no cotovelo em adultos, principalmente entre 35 e 55 anos.
Por que acontece
Ela resulta da sobrecarga repetida do tendão extensor radial curto do carpo, que leva a alterações degenerativas e a uma capacidade de cicatrização reduzida. Movimentos repetitivos de punho, preensão de força e uso de ferramentas estão entre os principais fatores, muito mais que o tênis.
Sintomas
- Dor na face externa do cotovelo, que pode irradiar para o antebraço
- Dor ao segurar objetos, apertar a mão de alguém, girar maçanetas ou levantar uma xícara
- Diminuição da força de preensão
Diagnóstico
O diagnóstico é clínico, baseado na dor à palpação do epicôndilo lateral e em testes de extensão do punho contra resistência. Exames de imagem, como ultrassonografia ou ressonância, ficam para casos atípicos ou que não respondem ao tratamento, e ajudam a afastar outras causas.
Tratamento
A epicondilite tende a melhorar com o tempo, e o tratamento busca reduzir a dor e devolver ao tendão a capacidade de suportar carga:
- Ajuste das atividades: reduzir temporariamente os movimentos que provocam dor, sem imobilizar o braço
- Exercícios progressivos de carga: isométricos e excêntricos para os extensores do punho, base do tratamento
- Órtese de contraforça: uma faixa no antebraço que pode aliviar os sintomas durante as atividades
- Analgésicos por períodos curtos, quando necessário
O estudo publicado no JAMA por Coombes e colaboradores, em 2013, mostrou que pacientes que receberam infiltração com corticoide tiveram pior resultado e mais recidivas após um ano, em comparação com placebo. Por isso, a infiltração com corticoide não é indicada como rotina.
Quando a cirurgia é considerada
A cirurgia é rara. Ela é considerada apenas quando a dor persiste e limita as atividades após 6 a 12 meses de tratamento conservador bem conduzido. O procedimento remove o tecido tendíneo degenerado e estimula a cicatrização.
Perguntas frequentes
Só quem joga tênis tem epicondilite?
Não. A maioria dos pacientes não pratica tênis. A condição está ligada a atividades com movimentos repetidos de punho e preensão, como digitar, usar ferramentas, carregar peso ou fazer trabalhos manuais.
Infiltração com corticoide resolve a epicondilite?
Ela pode aliviar a dor por algumas semanas, mas estudos mostram que, a longo prazo, os resultados tendem a ser piores e as recidivas mais frequentes. Por isso, não é a primeira escolha de tratamento.
Quanto tempo dura a epicondilite?
Na maioria das pessoas, os sintomas melhoram em até um ano, especialmente com ajuste das atividades e exercícios orientados. Uma minoria mantém dor por mais tempo e pode precisar de outras abordagens.
Referências
- Coombes BK, et al. Effect of corticosteroid injection, physiotherapy, or both on clinical outcomes in patients with unilateral lateral epicondylalgia: a randomized controlled trial. JAMA. 2013;309(5):461-9.
- Bisset L, et al. Mobilisation with movement and exercise, corticosteroid injection, or wait and see for tennis elbow: randomised trial. BMJ. 2006;333(7575):939.
Conteúdo escrito e revisado por Guilherme Guimarães Cabral, médico ortopedista e traumatologista, CRM-MG 102060, RQE 62737, com atuação em cirurgia do ombro e cotovelo. Última revisão: outubro de 2026. Este texto é informativo e não substitui a avaliação individual em consulta.
